01 Out

Doar um rim faz bem ao coração

Fonte: Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT)

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Doação renal cruzada

Em transplantação renal as incompatibilidades de grupo sanguíneo ou de sistema HLA são as principais limitações à dádiva em vida verificadas em alguns pares dador-receptor. A doação renal cruzada constitui uma alternativa que permite ultrapassar esta limitação, oferecendo aos doentes com insuficiência renal crónica a possibilidade de transplante mediante troca de rins entre dois ou mais pares dador-receptor, de maneira a que cada um dos receptores receba um rim adequado e os dadores realizem o seu desejo de doação.

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O que é o transplante?

Transplante é um procedimento através do qual se implanta num organismo (designado receptor) um órgão ou tecido proveniente de outro organismo (designado dador). Existem dois grandes grupos de transplante:

Transplante de órgãos sólidos ex: rim, fígado, coração, pulmões, pâncreas, etc. Transplante de tecidos ex: medula óssea, células endócrinas, pele, etc. Fala-se de auto-transplante quando o organismo dador é o mesmo que recebe o órgão ou tecido transplantado. Fala-se de alo-transplante quando o organismo dador é outro indivíduo, da mesma espécie. Neste caso, o dador pode estar vivo (dador vivo) ou ter acabado de falecer (dador cadáver). Fala-se de xenotransplante quando o organismo dador pertence a outra espécie animal (ex: transplante de um coração de macaco num ser humano). Este tipo de transplante ainda não se pratica correntemente.

Como se obtêm Órgãos para Transplante

É possível obter órgãos de duas formas: Dador Cadáver – é quando o orgão é retirado de alguém que acaba de falecer. Dador Vivo – é quando o candidato a transplante recebe um órgão que é retirado de uma outra pessoa, geralmente um familiar, com o qual tenha compatibilidade

Dador Vivo

O processo de selecção de um dador vivo varia significativamente de acordo com o órgão a transplantar. Em geral, o dador deverá ser um indivíduo saudável, mentalmente capaz de afirmar a sua vontade de doação, sem pressões de ordem emocional ou sócio-económica.

No caso da doação de rim ou fígado, em Portugal são aceites, como dadores, familiares, cônjuges, amigos ou qualquer outra pessoa, independentemente de haver qualquer relação de consanguinidade (Lei nº 22/2007, de 29 de Junho). Antes de ser aceite como dador, o indivíduo é sujeito a minuciosos exames físicos, laboratoriais, radiológicos e outros, de forma a detectar quaisquer factores que possam tornar mais arriscada a doação no seu caso. Se um desses factores for detectado, o indivíduo será recusado como dador. Dador vivo de rim Dador vivo de fígado Dador vivo de medula óssea

Dador Cadáver

Qualquer pessoa, ao falecer, é um potencial dador de órgãos ou tecidos para transplante, desde que, em vida, não se tenha manifestado contra esta possibilidade, nomeadamente através de inscrição no Registo Nacional de Não-Dadores. (No caso de se tratar de uma pessoa menor de idade ou mentalmente incapaz, é válida a vontade de quem detenha o poder paternal). No entanto, para que possa haver doação de órgãos têm que reunir-se um conjunto de circunstâncias:

● o dador tem que falecer num Hospital

  • depois de se verificar a paragem irreversível das funções cerebrais ou cardio-respiratórias, o corpo tem que ser mantido artificialmente, desde o momento da morte até ao momento da extracção dos órgãos. ● é necessário que se conheça, com exactidão, a causa da morte. Não são aceites como dadores indivíduos que sejam, na altura da morte, portadores de uma doença infecto-contagiosa, de um tumor maligno ou de uma doença com repercussão nos órgãos a transplantar. Também são contra-indicações, embora relativas, para a doação, uma história clínica de Hipertensão Arterial, de Diabetes ou a idade avançada. No que respeita à idade, os dadores mais desejáveis são os que têm entre 15 e 55 anos, mas a idade é valorizada caso a caso, de acordo com o tipo de órgão a utilizar e com o conhecimento da história clínica do dador. Uma vez certificada a morte, e se o cadáver tiver características adequadas à doação (ou seja, se os seus órgãos puderem ser úteis para curar ou melhorar a saúde de outras pessoas), o coordenador hospitalar para a transplantação tem a obrigação de se informar, por todos os meios ao seu alcance, sobre a vontade expressa em vida por aquele indivíduo em relação à doação. Para este efeito, são consultados o Registo nacional de Não-Dadores e, sobretudo, os familiares próximos do falecido. No caso de não existirem objecções, prosseguir-se-á com o procedimento de colheita. O que acontece depois da extracção de órgãos ou tecidos de um cadáver? Não há qualquer diferença em relação a outra morte em contexto hospitalar. A extracção de órgãos ou tecidos é feita num Bloco Operatório, em condições de assepsia, e consiste numa intervenção cirúrgica realizada por uma equipa médica e de enfermagem especializada. O corpo não fica desfigurado e é sempre tratado com o máximo respeito. Depois desta intervenção, o cadáver é transferido para a morgue do hospital, como qualquer outro cadáver. Quanto aos órgãos colhidos, são mergulhados num líquido de preservação e enviados para o hospital onde irá ser feito o transplante.

O que é a Imunossupressão?

Ao receber um órgão transplantado, o organismo vai reconhecê-lo como um objecto estranho , algo que não lhe pertence e, portanto, o seu sistema imunitário vai atacá-lo. É necessário tentar evitar esse ataque – é o objectivo da imunossupressão. A imunossupressão consiste na administração de medicamentos que vão impedir que o sistema de protecção do organismo ataque o órgão transplantado, rejeitando-o. Esses medicamentos, também chamados anti-rejeição, actuam sobre as células de defesa os linfócitos-, impedem a produção ou a actuação dos anti-corpos, dificultam o reconhecimento de proteínas estranhas, etc. Esta acção é vital para conseguir que o organismo aceite o transplante, mas interfere também com a defesa contra outros objectos estranhos , como os agentes de infecção. Por isso, quando se faz imunossupressão, o indivíduo tem uma maior susceptibilidade às infecções. No entanto, se não estivesse adequadamente imunossuprimido, rapidamente rejeitaria o transplante.

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